Como perdi o medo de criar - Dicas Práticas

como-perdi-o-medo-de-criar-criatividade-publicidade-dicas

Você chegou até aqui. Provavelmente no ensino médio tinha a fama de usar umas roupinhas diferentes, ter um óculos ou cabelo legal, as pessoas diziam que você era criativo e tinha boas ideias. Você tinha interesse por artes (todas elas, das tradicionais ao cinema) e entendia as referências de todos os blockbusters antes mesmo da pré-estreia. Isso te levou a procurar carreiras que permitissem um estilo de vida mais livre, com menos “não esquece de usar o crachá” e mais “happy hour hoje, galera”. O Guia do Estudante te mostrou que publicidade poderia ser uma boa ideia.

Você correu atrás, fez a prova, passou e entrou na faculdade. Encontrou várias pessoas diferentonas, exatamente como você. Percebeu que ser publicitário é um pouco diferente do que contam as séries da Netflix e até se viu meio desanimado. Viu professores dizerem que você pode ser criativo na aula, mas que na vida real o cliente não aprova. Ok, acabei de narrar minha vida antes da reviravolta. Você ainda tá nessa?

Se você ouviu de um professor (ou veterano) que o mercado não quer gente criativa, essa pessoa está amargurada pelos “nãos” que a vida deu e se esqueceu do que realmente é a criatividade. Juliana Hermes, fundadora do Universitário Publicitário, até fez um vídeo sobre isso (que você pode assistir aqui). Acontece que criatividade nem sempre é ter uma ideia maluca, improvável e completamente inédita. O nome disso é outra coisa. Criatividade é usar todas as referências que você consumiu ao longo da vida em prol da resolução de um problema.

Eu, por exemplo, cheguei na faculdade com a certeza absoluta de que seria diretora de arte. Amava desenhar, gostava de filmes e séries, ouvia bandas que ninguém conhecia e tinha várias camisas xadrez no guarda-roupa. Na minha cabeça isso é que era ser um criativo e tudo o que fugisse disso me faria menos publicitária.

Com o tempo fui ficando frustrada porque achava incrível o que os publicitários de Cannes faziam. Eu pensava “Meu Deus, que campanha genial! Nunca vou conseguir superar isso!”. Nos trabalhos da faculdade eu não sabia nem por onde começar. Eu gastava tanta energia mental tentando atrair o momento Eureka que, faltando um dia para entregar o trabalho, eu me forçava a produzir alguma coisa pelo prazo, mas já estava tão esgotada que saia um resultado muito mediano (mais mediano do que o que se espera de um aspirante a publicitário). Ficava me questionando “será que sou mesmo criativa?”.

Mas o que eu não tinha percebido ainda é que profissional criativo de verdade não é aquele que faz trocadilhos engraçados ou montagens magníficas. Criativo de verdade é um resolvedor de problemas.

Foi aqui que a chave virou.

Eu percebi que todo briefing e PIT era um jogo de estratégia. Um jogo sem manual de instruções, com regras que você precisa descobrir e objetivos que quase sempre vão mudando ao longo do tempo de jogo.
Qual é o único jeito de ganhar esse jogo? R.: Sendo criativo de verdade.

Títulos legais te dão visibilidade e podem até te dar um emprego, mas eles não mantêm seu emprego nem consolidam sua carreira. Você só consegue isso seguindo os passos aqui embaixo:

1- Tenha boas referências

Assista tudo, leia tudo, ouça pessoas na rua, na padaria, no metrô. Observe como elas consomem e porque fazem isso. Um bom repertório é o que nutre sua criatividade.

2- Valorize o briefing

O briefing é seu tesouro. É dele que partirão todas as informações necessárias para você jogar bem o jogo de resolver problemas. Um briefing mal estruturado e incompleto é o principal motivo para agências perderem contas. Se ele chegou na sua mão incompleto, crie uma lista com as perguntas que ainda precisam ser respondidas e repasse ao atendimento. Não tenha preguiça, isso pode garantir sua carreira.

3- Discuta ideias

Uma ideia solo é boa, mas uma ideia em grupo é foda. Não guarde a ideia só pra você. Quando ela é só sua, ela só passou pelas suas referências, seus critérios e filtros. Quando ela é compartilhada, tem-se a oportunidade de lapidar essa ideia com pontos de vistas diversos, transformando ela num megazord criativo.

4- Saiba do que você está falando

Parece simples, mas é sério: de onde você tirou essa ideia? Como sabe que é essa linguagem que vai atingir o público? Como sabe que essas cores funcionam para mulheres dessa idade? Não seria melhor amarelo? Essas perguntas só podem ser respondidas com experiência e pesquisa, então trate de fazer seu dever de casa, comunicador social!

Eu só perdi de verdade o medo de criar quando ganhei confiança de que minhas ideias resolviam problemas e eu não estava criando só pra fazer show, ganhar elogios ou ter uma peça “uau” no meu portfólio. Estou escrevendo esse texto porque tenho certeza que essa dica pode ser muito valiosa pra você.

Fique ligado que vem mais coisa boa por aí, viu? Estamos juntando profissionais da área para trazer conteúdo de valor pra vocês. Vamos avisar tudo no nosso Insta, se eu fosse você não dormia no ponto.

 

10 Gostei disso
0 Não gostei disso

Apaixonada por conhecimento compartilhado. Formada em Comunicação Social e fundadora do Publicitário Freela, um projeto que apadrinha profissionais de publicidade e design ensinando a eles os caminhos certos pra se construir uma carreira freelancer. Sou também Diretora de Planejamento Estratégico da Otus Agência Digital, um pouco nômade e convicta de que posso fazer do mundo um lugar melhor.

Comentários